O que é o custo por km rodado
É quanto o seu caminhão gasta para percorrer um quilômetro, somando tudo: diesel, pneu, manutenção, motorista, documentos, seguro e a parcela ou depreciação do próprio caminhão. Dividido pelos quilômetros rodados no período, vira um número só, o CPK.
Esse número é o piso do seu frete. Qualquer valor por km abaixo dele é prejuízo disfarçado de trabalho. Por isso a pergunta "vale a pena pegar esse frete?" só tem resposta para quem sabe o próprio CPK.
A fórmula
CPK = custo total do período ÷ km rodados no período
Use um mês inteiro. Semana é pouco (uma quebra distorce tudo) e ano é demais para reagir a tempo.
Se quiser fazer a conta agora, com os seus números, use a calculadora de custo por km: ela já separa o custo fixo do variável e roda no seu navegador, sem cadastro.
O que entra na conta (e o que todo mundo esquece)
Custos variáveis: crescem com o km
- Diesel: a maior fatia, normalmente entre um terço e metade de tudo. Calcule por litro abastecido, não por estimativa. Antes disso, apure a média do caminhão em km por litro: é ela que transforma litro em custo por quilômetro.
- Pneus: divida o preço do jogo pela vida útil em km. Um pneu que dura 80 mil km e custa R$ 2.400 custa R$ 0,03 por km, por pneu.
- Manutenção e peças: óleo, filtros, freio, embreagem. Some o que gastou no mês; se foi um mês sem oficina, use a média dos últimos seis.
- Pedágio: por viagem, mas entra no mês.
Custos fixos: existem mesmo com o caminhão parado
- Motorista: salário, encargos, diária, comissão. Se você mesmo dirige, coloque um pró-labore, senão está pagando para trabalhar.
- Parcela do caminhão ou depreciação: o caminhão perde valor todo mês. Se está quitado, reserve o que ele desvaloriza.
- Seguro, CRLV, IPVA, rastreador se tiver: divida o valor anual por 12.
- Custo administrativo: contador, sistema, telefone, o escritório.
Exemplo ilustrativo: 1 truck, 8.000 km no mês
| Diesel (2.500 L × R$ 6,00, média de 3,2 km/L) | R$ 15.000 |
| Pneus (desgaste do mês) | R$ 1.200 |
| Manutenção e peças | R$ 2.500 |
| Pedágios | R$ 1.100 |
| Motorista (salário + encargos + diárias) | R$ 5.500 |
| Parcela / depreciação | R$ 4.000 |
| Seguro + documentos (anual ÷ 12) | R$ 900 |
| Administrativo | R$ 600 |
| Total do mês | R$ 30.800 |
| CPK = 30.800 ÷ 8.000 km | R$ 3,85 / km |
Valores fictícios, só para mostrar o método. Os seus vão ser diferentes, e é por isso que a conta precisa ser feita com os seus lançamentos.
O erro que faz prejuízo parecer lucro
Olhar só o diesel. Um frete de R$ 3,00/km "cobre o diesel com folga" (que custa R$ 1,88/km no exemplo) e ainda assim está R$ 0,85/km abaixo do custo real. Em 3.000 km, são R$ 2.550 de prejuízo numa viagem que parecia boa.
O segundo erro: calcular o CPK da frota inteira. Cada caminhão tem a própria média, a própria idade e o próprio histórico de oficina. O CPK que interessa é por placa: é ele que mostra qual veículo carrega a empresa e qual só dá despesa.
Como usar o CPK na hora de negociar
- Pegue o CPK do caminhão que vai fazer a viagem.
- Multiplique pelos km totais: ida e volta, mesmo que a volta seja vazia.
- Some a margem que você quer. Frete abaixo disso, recuse ou renegocie.
Tem um artigo só sobre isso: esse frete vale a pena?
No FroX, o CPK sai sozinho: o motorista lança o diesel no posto pelo celular, a manutenção fica na ficha da placa, e o sistema divide tudo pelos km da viagem. Veja como funciona o CPK por caminhão.